Coluna do Gustavo Chapacais
Li uma ótima matéria da revista IstoÉ da semana que passou (nº 2136 do dia 20/10/2010) que aborda o tema da religiosidade nestas eleições, mas não só a religiosidade, como também o esquecimento de assuntos importantes por parte dos candidatos e de suas campanhas. De fato, os dois candidatos que concorrem à presidência curvaram-se às questões dogmáticas e esqueceram das propostas que realmente interessam aos eleitores, como economia, saneamento e reforma política.
Outros temas de igual importância foram abordados, sim, mas de uma forma tão superficial, que passaram despercebidos por nós, eleitores. É o caso do Banco Central, em que a candidata do PT, Dilma Rousseff, defende a autonomia da instituição e o candidato José Serra (PSDB), com o jeito de governar voltado ao passado, defende que o BC seja subordinado ao Ministério da Fazenda, como ocorria nos governos anteriores ao de Lula. Para saber disso, o eleitor recorre aos meios de comunicação, até porque nos debates e programas eleitorais não são propostas presentes.
No caso do saneamento, recentes dados do IBGE mostram que pequena parcela da população tem acesso à água tratada ou a tratamento de esgoto (neste último caso, até eu, que vivo economicamente bem, sou vítima), mas as propostas nem estão aí. De um lado há a presença do PAC, que pode ser sim, se as obras transcorrerem bem, a salvação do caos do saneamento. Do outro lado trata-se apenas como questão de saúde, quando também podemos considerar questão de infra-estrutura, que em muitos municípios nem está presente.
Um dos temas que interessam ao eleitor que olha para o futuro é uma reforma política, que definirá as regras do jogo eleitoral nas próximas eleições, bem como financiamento de campanha, reeleição para o Executivo, entre outros aspectos. Certamente esse é um tema que interessa ao eleitor, não pelo fato eleitoral, mas também pela possibilidade de se combater, frente a frente, a corrupção tão presente em nossa nação. Até a questão do aborto tem sido debatida apenas como questão religiosa, quando sabemos que deve ser tratada também como questão de saúde pública.
As boas notícias é que, nesta última semana de campanha, os dois lados prometeram mudar o tom, já que nas passadas semanas a campanha de José Serra servira apenas para atacar a adversária - de forma leviana e pouco convincente, diga-se de passagem - fazendo com que a própria Dilma tivesse que apenas se defender, obscurecendo um tanto sua campanha. Inclusive, o candidato tucano tem usado de armas nesta eleição, como o próprio caso do aborto e da religiosidade, pondo em dúvida as posições dogmáticas da candidata do PT e do presidente Lula. O desespero subiu à cabeça do derrotado desta reta final, mas disso falarei na quinta-feira, no meu próximo texto neste blog.
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