Bem pessoal, a partir desta semana, toda quinta-feira, terá aqui no Blog a Coluna do Gustavo Chapacais. Espero que vocês gostem!
Projetos bem distintos: uma “luz” para o eleitorado
Para os menos informados, os dois projetos de governo dos dois candidatos deste segundo turno parecem ser iguais. O que esses cidadãos geralmente afirmam é que num dos lados a linguagem é culta, noutro, popular. Quem entende ou procura entender a política sabe que, histórica e politicamente, essa conclusão é equivocada, sendo que os dois projetos são bem diferentes. Um representa a direita, os “burgueses“, outro representa a esquerda, os trabalhadores e outras classes menos favorecidas.
Na direita se encontra José Serra (PSDB), que foi ministro no governo FHC.
Contraditoriamente ao dito no parágrafo anterior, o candidato tucano à presidência apresenta, desde o primeiro turno, diversas propostas que atendem ao anseio da população menos privilegiada, como o Mãe Brasileira e a construção de policlínicas. Também tentou agradar a esse público com o projeto de aumento do salário mínimo para R$600,00 e o reajuste das aposentadorias em 10%, mas tais propostas têm sido menos expostas, em razão da polêmica envolvendo o aborto (que favorece, de momento, o PSDB) e inclusive porque são tipos de promessas que provavelmente tenham influenciado poucos eleitores. Os projetos mais conscientes, diga-se assim, não foram implantados no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB/1995-2002) e implantados apenas parcialmente nos últimos dezesseis anos de governo tucano no estado de São Paulo (que era governado por José Serra até o início do ano, quando deixou o cargo para concorrer à presidência), causando um ar de suspeitas no eleitorado. Necessariamente a campanha vem mudando de tom paulatinamente, visto que não agradava àqueles que realmente procuram analisar a política brasileira e muito menos aos próprios integrantes e financiadores do PSDB.
Em lado oposto está a candidata Dilma Rousseff (PT), herdeira política de Lula e dos programas implantados por ele nos últimos oito anos. A campanha da candidata petista exalta sua participação no atual governo federal (em que ela foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-Chefe da Casa Civil), com a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a continuação dele, o PAC2, além de programas como Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida. Portanto os programas sociais de Lula que agradaram a população são a grande força na campanha do PT, o que não deixa a candidata petista atrás da campanha de José Serra. Construção de 6 mil creches, 500 UPAs e a implantação em cunho nacional das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que até então vêm sendo utilizadas nas favelas do Rio de Janeiro, e que a população desses recintos mostra aprovação, estão entre tantas propostas para o governo Dilma.
Assim sendo, os dois projetos são distintos. Mas o que essas diferenças, que são várias, representam para as eleições? Representam que o eleitor ainda está desnorteado sobre em quem votar ou em quem deixar de votar. Alguns falam que os candidatos têm projetos iguais, mas como visto aqui, não têm. São projetos bem diferentes, que apoiam diferentes camadas da sociedade, sejam elas camadas econômicas, sociais ou políticas. Outros ainda decidem seu voto com os olhares voltados para os escândalos, só que esses são severamente manipulados pela grande mídia. Observar os dois projetos e compará-los é o que pode “causar“ a decisão do eleitor. Comparar o trabalho nos governos que os candidatos participaram, também. Concluo que o que ditará o resultado destas eleições serão as propostas dos candidatos, apresentadas tanto em programas de rádio e televisão, quanto em debates.
Em se tratando de projetos, a candidata da esquerda, Dilma Rousseff, está se saindo melhor, por representar a continuidade da política lulista, que é aprovada por 79% dos brasileiros, mas isso pode não se confirmar como realidade eleitoral no dia 31 de Outubro, e isso dependerá dos discursos e da ação da militância. Para finalizar, espero que esta coluna possa servir então, nas próximas semanas, de “luz” para aqueles que ainda estão indecisos, mostrando a realidade destas eleições.
Gustavo Chapacais, 14/10/2010
Gustavo Chapacais é Estudante secundarista, defensor do Socialismo e militante do PT.
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